domingo, 4 de janeiro de 2009

embora.

Meia noite são Paulo morro alto
Eu prossigo embora todos os bares estejam fechados
Eu prossigo embora todos os sinais estejam fechados
Embora todos os céus estejam fechados
Embora todos os corações estejam fechados
Embora todas as coxas estejam fechadas
Embora todos os caminhos estejam fechados
Embora meus olhos estejam fechados
Embora o caminho e os anjos não anunciem absolutamente nada
Eu prossigo com os braços fechados em prece
Com o corpo em sinal de oferenda
Com o trigo separado do joio
Com a dor estampada no meu sorriso idiota manchado de ressaca
Eu urino por sobre os pináculos centrais de minha sanidade
E eu amo dizer te amo
Embora a essa hora nesse domingo
O amor também esteja fechado e encerrado
Em musgo sombra e tripas,
Calado. Embora hajam tantos e tantos
E tantos sonhos em aberto.

2 comentários:

Fel de gilete disse...

Embora todos os sonhos pareçam quebrados
e a gente junte caco por caco
e tenta se cortar
feito um alex polari setentista

Mariana disse...

uma palavra:

c-a-c-e-t-e!

embora, seja feio urinar na rua
parabéns pelo texto! ;)